Violência contra a mulher: até quando?

Jurei que a violência contra a mulher, tinha chegado ao fim em 2006. Foi a época em que a Lei Maria da Penha, recém sancionada, estava no auge. Naquele tempo eu tinha 22 anos.

Eu estava escrevendo esse artigo pra ser o primeiro do ano, em defesa das mulheres. Falava do meu lamento e minha indignação, sobre o caso do infeliz que bateu com a maior facilidade do mundo, na guarda de trânsito.

Quando lia a matéria sobre isso, pensava “é lógico que ele bate na esposa”. Aí me assustei no dia seguinte, ao saber que a esposa é delegada e sim, apanha dele. Fiquei me perguntando o porquê dela se sujeitar a isso.

Então, triste com essa história, veio toda a repercussão da Chacina em Campinas. Que foi na realidade um feminicídio. Algo brutal. Bem planejado. E que o assassino mudou de ideia ao ver a merda que tinha feito.

E mais um caso de violência contra a mulher em MG. Meu Estado. O ex assassinou a mulher e jogou o corpo dela numa cisterna.  Aí a gente já se lembra do caso da Eliza Samudio que nem o corpo foi encontrado.

Eu lamento muito por tantas histórias de violência contra a mulher já no começo do ano. Quando a Maria da Penha foi sancionada, eu tinha 22 anos, comemorei a muito. Mas hoje, mais madura, percebi que o problema demanda ações maiores.

Esses homens são doentes. Na maioria ex. Não sabem ouvir um “acabou”. Se acham donos das mulheres. Se julgam na condição de tirar a vida delas. Não têm capacidade de vê-las felizes sozinhas ou com outro cara.

Enquanto os meninos não aprenderem a respeitar as meninas na escola pelo fato de serem meninas, serão criados homens machistas. Seres com mentes doentias. Há que se criar um plano de proteção maior às mulheres. Onde a lei Maria da Penha seja apenas o primeiro degrau.

De que vale a mulher denunciar e ser assassinada? Eu queria aqui nesse artigo, ter o que apontar como solução e não abrir mais a ferida. Só que são muitas as mulheres nessa condição de ameaçadas por doentes. Caras que se julgam seus donos. Não há efetivo policial para cuidar de todas.

E usando a palavra “doente”, não quero dizer que eles têm problemas. Não têm! No começo, são uns fofos. Depois viram uns insuportáveis. E no mesmo dia em que tratam mal a ex, são uns gentleman’s com a atual. Portanto, não são doentes no real sentido da palavra.

São dissimulados. Tem sã consciência do que fazem. Deixam áudio e cartinha explicando tudo. Não dão sinais de problemas psicológicos. Planejam cada passo.

Espero que daqui alguns anos, esse tema se torne “coisa do século XXI”. Como hoje nos referimos ao século onde as mulheres tinham que dizer “não senhor, sim senhor”. Eram meras reprodutoras. E não podiam nem estudar, ler. Espero mesmo.