Quando o desinteresse gritou

Talvez você se pergunte o que houve, pense que o desinteresse veio do nada. E até diga a si mesmo que eu pirei, chutei o balde à toa, perdi um partidão (ai, socorro! Nem era tudo isso!). Falta de avisos não foi… Você não me ouvia mais, passou a não me enxergar, o respeito só desceu a ladeira e eu percebi que a verdade é que você não tinha se transformado naquele desconhecido, e sim, você era ele, sem máscara. E eu, felizmente, acordei. Por que me amo. Aprendi a me amar antes de amar qualquer pessoa. Vale à pena dizer o que aconteceu. Pra seguir a vida e ser feliz. É sério, sem ironias. Torço muito pela sua felicidade. Só que faço muita questão, que seja bem longe de mim.

Várias atitudes suas me deixaram pensativa sobre “será que é isso que quero pra minha vida?”.  O desinteresse surgiu quando percebi que você era uma pessoa em minha casa e outra na sua casa, na casa de seus parentes. Isso me deixou na verdade, muito assustada. Caiu a ficha do “opa! Ele não é isso que mostra”. Vovó me ensinou uma coisa muito importante nesse mundo de relacionamentos: observe muito como o rapaz age e trata as pessoas na casa dele, pois é assim que irá te tratar quando você for viver com ele. Sempre agradeço por esse conselho. Se lá no céu, a cada vez agradeço isso à ela, ela ganha uma estrela, já tem uma constelação.

Além de fazer coisas absurdas e ignorantes em casa, naquele dia que fui ao seu trabalho e você estava com uma cara de “o mundo acabou e sobrei aqui”, fumando, com o telefone sem fio em mãos, de casaco e ao me ver parando de biz na calçada, você nem sorriu. Não demostrou nenhuma emoção. Foi nesse dia que o desinteresse gritou! Até minha chefe, daquela época, a que me tratava feito cachorro na frente das pessoas e me tratava à pão de ló quando estávamos sozinhas; ao me ver chegar ao trabalho, demonstrava mais emoção que você. Nem que fosse um “melhora essa cara de sono, menina? Como não bateu a bizinha?”, você devia ter falado. E você ficou com a mesma cara enquanto conversamos. Me senti um monte de nada. Nada mesmo porquê merda ainda produz reação das pessoas.

Não me lembro o que fui fazer nesse dia em seu trabalho, só lembro dessa sua cara e reação de velório. Mas lembro bem de como me senti mal. Ali a luz de alarme em minha consciência se acendeu e ficou piscando, no tom mais vermelho que sangue e dizendo “sai fora”, “sai fora”, “sai fora”. O desinteresse gritava mais alto a cada dia dentro de mim. E assim eu fiz. Saí mesmo. E olha, foi um aprendizado esse tempo ao seu lado. Cada choro, cada desrespeito, cada coisa absurda que você fazia comigo, cada ignorância. Tudo que fez me serviu pra hoje ensinar à muitas mulheres, o quanto os homens podem ser cafas, o quanto podem fingir ser algo que não são e mais importante: o quanto é importante analisar o relacionamento quando o choro é mais constante eu o sorriso. O quanto certos homens podem fingir por anos e anos o que não são.

E o melhor de tudo, foi te dar um pé na bunda 10 dias depois de você dizer “vá à imobiliária e veja uma casa pra gente alugar e se casar”. Aliás, não deu tempo de te informar: sorry, até hoje não fui lá! A vontade de ir era zero! E não me arrependo!

Passar bem.

(Carta de uma mulher que aprendeu a se amar antes de amar outra pessoa e trazer pra própria vida, constituir um relacionamento.)

Este artigo foi feito para o site O Segredo, onde sou colunista desde fevereiro de 2016.