Permita-se desapaixonar!

Sim, exatamente: desapaixonar-se. Claro que o caminho inverso, apaixonar-se, é mais fácil. É só deixar o coração bater mais forte, deixar os pensamentos fazerem ninhos e não ser dura consigo mesma. Acreditar. Saber amar, como bem nos ensinou Herbert Vianna – Paralamas do Sucesso – “é saber deixar alguém te amar”. E ser amado é mais fácil, confesso. Mas às vezes, a vida exige que façamos o caminho mais difícil. O do desamor.

E permitir-se desapaixonar é pesado, duro, complicado. A primeira atitude que ajuda nessa questão é aceitar que você perdeu. A gente fica naquela teimosia de “ele vai mudar de ideia”, “vai ver o que perdeu”, “vai vir atrás”. Não é por aí. Ele não vai ver, até por que, está bem sozinho ou com outra. E se vier atrás, o melhor é você não querer, pois, se em outra situação ele não quis, só veio por falta de opção. Não seja plano b de alguém. Isso é mais doloroso ainda.

A partir do momento em que você aceita que perdeu e passa a desejar que ele seja feliz, você mostra a sua maturidade. E com o tempo, o que você sentia, passa. Se necessário for, o bloqueie nas redes sociais. A gente tem mania de stalkear e isso só atrasa esse ir, do que sentimos pela pessoa. Se ele não te quis, ele está no direito dele. Talvez, seja válida, uma reflexão autocrítica, para que você tente descobrir onde errou e assim, não errar no próximo. Mas se humilhar, insistir e apelar com quem não te quis, é dispensável.

Faz parte dessa permissão de desapaixonar-se, um bom livro, boas músicas, amigos, família, pular de cabeça o trabalho. Olha, vale até uma panela de brigadeiro, netflix e colocar as séries em dia. O tempo vai passar e levar isso… Eu sei do que estou falando. A parte boa de tudo isso, é que a gente sobrevive.

Torcendo pela felicidade dele, você lida da melhor forma com a rejeição. Permitindo que o que você sente por ele se vá, você se desliga dele. E tudo que você deseja nessa vida a alguém, acaba voltando pra você, então, no fim das contas, a felicidade que você desejou a ele, volta todinha pra você. Tente não pensar tanto nele. Tente não se martirizar, tentando descobrir o que você fez de errado. Analise tudo, avalie, reflita. E depois, coloque numa gaveta da sua vida. E deixe lá.

Um dia tudo isso se tornará experiência. Você vai se pegar pensando, após conseguir desapaixonar-se, “o que eu vi nele?” e vai perceber que permitir desapaixonar-se e desejar toda a felicidade do mundo a ele, foi o melhor que você fez. Não tô dizendo que isso é fácil. Jamais diria. Eu sei que é difícil. Mas é o mais certo a fazer. Não vale à pena sofrer por quem não te quer. Não vale à pena tentar entender quem faz jogos. Não vale à pena se enganar dizendo a si mesma que ele está confuso. Não vale à pena correr atrás.

Tem uma frase budista que eu amo: “A dor é inevitável, o sofrimento é opcional”. Trago ela sempre comigo, pois ela me lembra algo bem importante: a minha dor eu não posso evitar, mas o que faço com ela, depende só de mim. É da sua mente que sairá o que fazer após uma rejeição. E você deve optar por permitir esse desapaixonar-se. Ainda que ele tenha alimentado isso em algum momento, ainda que ele tenha dito que queria também, esqueça tudo. No fim das contas, ele seguiu outro caminho. E você vai seguir o seu também.

Torça pela felicidade dele. Apenas isso. Permita que esse sentimento por ele vá embora. Você é linda, maior que tudo isso. Em breve, ele será só mais um que te perdeu. Que não te merecia e você percebeu a tempo, que era melhor deixá-lo ir. Seja madura o suficiente para assumir que perdeu e vire essa página. É doloroso, eu sei. Rejeição não é como um prato que você pede A e vem B. É terrivelmente pior que isso. Mas a gente vence isso também, acredite.

Este artigo foi feito para o site O Segredo, onde sou colunista desde fevereiro de 2016.