Pelo fim da Homofobia: basta o desrespeito!

Fico indignada quando leio alguma reportagem que mostra a homofobia, de alguém que foi espancado por ser gay. Chega disso: “vamos espancar, porque é gay”, “vamos queimar porque é mendigo”, “vamos bater até matar porque é índio”, “vamos atirar porque é um negro”… chega!!! Venho hoje fazer um protesto contra a homofobia e contra a intolerância às diferenças. Uma vez que algumas figuras públicas vêm protagonizando um show de desrespeito aos homossexuais – Feliciano, Malafaia, Bolsonaro e Cia Ltda – proponho uma reflexão. Pensarmos que gays são promíscuos, “sujos”, pecadores e sem pudor é como pensarmos que todos os pastores evangélicos são “de Deus”, que todos os políticos são corruptos, que homem nenhum presta, etc. É julgar sem conhecer e generalizar equivocadamente. Dessa forma, só levantamos mais o preconceito. Está na hora disso acabar! É necessário aceitar as diferenças e conviver bem com elas. Não é porque alguém segue um caminho diferente do seu, que deve ser rotulado como “errado”, “ruim” e etc.

Entenda que são diferentes de você, é só isso. Este assunto está sendo divulgado e a cada dia mais debatido. Vamos ser inteligentes e tentar ver de outra forma, respeitar ou vamos continuar nos sentindo mal e incomodados? Eu opto pelo caminho mais difícil. O de entender e respeitar, porque eu o trilhei. Deixe todo seu preconceito de lado ao ler esse texto, depois reveja seus conceitos sobre homossexualismo.

Há tempos, eu via o homossexualismo como uma questão de comportamento. Achava que era praticamente uma moda. Pensava assim: “no tempo do meu Avô, não existiam tantos gays como hoje, então isso é moda, coisa do mundo que estamos vivendo”. Cheguei até a pensar que fosse uma doença ou algo que a genética pudesse explicar, como uma “falha”. Mas, há 9 anos, surgiu uma curiosidade, devido a comportamentos diferentes de um parente, de entender o temaLi textos de genética e evolucionismo, buscando respostas.

Cheguei à conclusão de que não é moda, nem opção, nem coisa que se aprende ou se recebe influência, muito menos questão de modernidade. A pessoa nasce assim. Entendi que existem dois princípios: a expressão de gênero – garotos que gostam de coisas de meninas ou vice-versa – e a orientação sexual – os que se relacionam com alguém do mesmo sexo – que define se a pessoa é homossexual ou heterossexual. A orientação sexual é o desejo, o afeto. A genética aceita a ideia de que os seres humanos podem amar hétero ou homossexualmente.

A modernidade entra no que tange a forma como vamos ver essa questão. Antes da revolução sexual dos anos 60, os que se assumiam como gays, apanhavam e eram rejeitados, deserdados pelas famílias. Era uma coisa totalmente inadmissível. A atualidade nos remete à possibilidade de aceitação. Nos permite vê-los com outros olhos. Houve um tempo em que os negros eram banalizados, houve outro em que os evangélicos eram a bola da vez e outro ainda onde os hippies eram renegados. Hoje são os gays. Infelizmente eles não são os últimos. O preconceito surge a partir da diferença.

O que faz a pessoa ser boa ou ruim é ter ou não um bom caráter. Ser gay não quer dizer ser mau caráter ou malcriado. É só uma pessoa diferente. O que os homossexuais vivem, é natural e normal pra eles, não é algo que acontece, a pessoa nasce assim. Tem pessoas que nascem de cabelo liso, crespo, preto, loiro, opção sexual é igual. Alguns nascem hétero, outros homossexuais.

Alguém pode questionar: “como explicar isso às crianças?” basta usar naturalidade e dizer que existem meninas que gostam de meninas, meninos que gostam de meninos, meninas que gostam dos dois, meninos que também gostam dos dois. Simples assim. Como a criança ainda não tem preconceito, o modo como ela vai ver as pessoas que são diferentes dela, depende da forma como lhe é transmitida.

Depoimentos que colhi de homossexuais:

“Desde a infância, antes mesmo de ter consciência da minha condição sexual, era nítido o preconceito. Ainda hoje, me sinto profundamente agredido moralmente pela religião, pelo conservadorismo extremo e por uma sociedade doente e alienada. É frequente a associação da minha imagem à promiscuidade e pecado, apenas por ser homossexual. Como se heterossexuais também não cometessem tais “imoralidades” (termo utilizado pelos conservadores). Não se julga um todo pelas ações de apenas alguns! Espero que um dia as pessoas entendam a causa de nossa condição e nos respeitem como ser humano e pessoas de “bem” que somos. Eu quero amar e preciso de paz e dignidade”.

“Sofro com a violência a todo o momento não importa o que você faça, isso simplesmente ocorre e começa na maioria das vezes de familiares próximos. Algumas pessoas têm que enxergar que isso não é uma escolha você nasce assim. Sofremos porque não somos o biotipo que a sociedade taxou! Por que temos que ser todos iguais? Por que não podemos amar alguém do mesmo sexo? Julgam porque não sabem como somos. Todos nós esperamos que a sociedade aceite nossa condição. Parem de se preocupar com a vida alheia, se não está te afetando, não tema! Somos humanos iguais a vocês e quando morrermos seremos a mesma coisa no final! Adubo para a terra voltaremos ao barro que é de onde viemos e para os braços do Pai retornaremos! Chega de julgamentos”.

“Tem gente que fala com a maior convicção que é contra o casamento gay. Incrível. Quem somos nós para ser contra o direito de alguém ser feliz? No passado muitos eram contra negros se casarem com brancos e mulheres serem ativas no cenário social e profissional e hoje isso é normal. Você não tem o direito de não querer algo que não é para você! Preocupem-se a vida de vocês, preocupem-se em amar e respeitar a individualidade de cada um. Você tem a sua verdade, mas isso não quer dizer que ela seja a única.”

“Eu sou gay e nunca tive vergonha, nunca escondi isso, mas agora estou com medo de pessoas preconceituosas que não têm o mínimo de respeito. Enquanto alguns que se dizem homens e estupram crianças, pais matam filhos pelo mundo afora; esses preconceituosos estão preocupados em falar que homossexualidade é doença? Nós só queremos PAZ para viver, porque o amor, já temos, o de DEUS.”

O papel da família é apoiar, respeitar. A sociedade, por sua vez, tem o dever de respeitar. Homossexuais não são melhores nem piores que nós. Cada um tem sua orientação sexual e ninguém tem o direito de julgar ou atirar pedras. Essa guerra sem sentido, preconceituosa que traz tanta opressão, tem que acabar. Imagine você se alguém discriminasse sua forma de ser, aquilo em que você acredita e aquilo que te faz feliz, que é a sua verdade e uma normalidade!? Como se sentiria? É assim que eles se sentem: ameaçados, furtados de sua dignidade e legitimidade de viver em paz e felizes. Não é porque a pessoa é hetero que ela é homofóbica. Não é porque os homossexuais estão dando a cara à tapa e pedindo respeito que todo mundo vai virar gay ou tem que ser gay. Quem é, sabe que é, porque nasce assim. Eles só querem ser respeitados. E eu peço compreensão e aceitação. Estou cansada de tanto preconceito contra diferenças.

Anseio pelo dia em que notícias como essas: G1 – ViolênciaG1 – Manifestação serão esporádicas. E que notícias assim: G1 – Aprovação Casamento Gay sejam frequentes, para que essas pessoas tenham mais dignidade perante a sociedade e que ninguém possa atirar pedras, se achando dono da razão ou melhor que algum homossexual. Não a HOMOFOBIA! Sim ao AMOR e todas as suas formas de expressão. Sim ao RESPEITO às diferenças.

E você? Quer deixar alguma manifestação também? Quer comentar o assunto? Fique à vontade. Não precisa se identificar!