Papo aberto sobre traição: “vontade” é pouco

Às vezes, ouço ou leio umas histórias e me pego pensando: onde está o respeito entre casais? O caráter das pessoas? O que está acontecendo?

Há alguns dias, soube de um homem casado, que tem dois filhos, a esposa que trabalha em casa (ela cuida da casa, dos filhos e do próprio negócio – faz artesanato) e ele faz curso de sei lá o quê, três vezes por semana, à noite. Ocorre que ele estava de conversa mole no facebook, com uma colega desse curso e papo vai, papo vem, acabaram num motel. Ele casado. Ela solteira. E isso se repetiu outras vezes. Hoje eles têm um caso. Ele teve a capacidade de dizer que acha que a mulher irá perdoá-lo, caso aconteça de descobrir tudo isso.

Aí eu penso: umas poucas conversas em uma rede social e as pessoas se veem num motel? Como pode isso? E onde fica o respeito? Anos e anos de casamento no lixo, assim, tão fácil? Meu sentimento, nesse caso, sinceramente, é que a esposa descubra logo e que dê nele um belo de um pé na bunda!

Pessoas casadas se encontram com casadas. Pessoas solteiras se encontram com casadas. Aí justificam “ah, foi uma vontade que eu tive”. Então é assim? Vamos agora mesmo à Câmara dos Deputados Brasileiros, ao Senado Federal, colocar bombas aos arredores e explodir tudo com todos os políticos corruptos dentro! Vamos sim, “porque é vontade”. Não tem cabimento né? Calma lá! ‘Vontade’ é muito simples. Muito pouco, pra justificar tamanha merda.

Tudo bem que o mundo mudou, evoluiu, mas vontades vêm e vão, não somos criancinhas que se não tivermos a vontade feita, desabamos a chorar. Sexo não é tudo. O que se constrói com alguém que te vê mal de saúde, gripado, com o rosto inchado, nariz escorrendo, uma voz horrível e esse alguém te olha da mesma forma como te olha quando você está bem e cuida de você… o que se ouve e se diz em momentos de dificuldades no dia a dia… o que se diz em boas conversas que duram horas e horas e parecem minutos… o que se ouve quando se está triste e pra baixo… isso sim, é pra ser cuidado e regado a vida toda! Poucos minutos com outra pessoa, não justifica jogar tudo isso pro alto!

Vejo que muitas coisas atualmente ficaram certas – e eram erradas – com algumas até concordo: sexo antes do casamento por exemplo. Mas tem coisas que desde que o mundo é mundo, são erradas. Falta de caráter e traição, são exemplos disso.

A revolução sexual, que vem mudando nossos costumes dos anos 60 pra cá, têm nos colocado à mesa coisas como: sexo grupal, ménage (sexo à três), orgias, gang bang (sexo explícito como nos filmes pornôs) e toda forma de orgias que se possa imaginar. Têm casais casados que são adeptos de algumas ou todas essas formas, mas são casais que têm casamento liberal, aberto, onde existe acordo entre as partes e dentro do contexto, gera prazer e satisfação a ambos, o que torna o relacionamento – apesar de atípico – limpo! Afinal, se acontece troca de casais, ambos sabem e estão de pleno acordo.

Traição, desde que o mundo é mundo, é errado. Se hoje as pessoas têm dado desculpas e nominhos diferentes à traição, isso não muda de forma alguma, o quão desrespeitoso ela é. Trair faz a pessoa abrir uma porta no casamento pra algo totalmente contrário ao compromisso que fez com o cônjuge. Não há desculpas, nem apelidos, nem justificativa para isso. Traição é adultério, é infidelidade conjugal, é um conjunto de mentiras, pura falta de caráter e egoísmo. Não existem nomes bonitos pra isso.

Existem vários fatores que levam à traição: carência, insatisfação, desejos que não se pode compartilhar com o parceiro, vingança, busca pelo novo, vontade de viver aventuras, estímulo da sensação de perigo, entre outras. Nada disso muda minha concepção de que é errado. Alguns desses fatores poderiam ser solucionados com um diálogo. E o que não se pode solucionar com diálogo, soluciona-se com divórcio, pois não vivemos mais no tempo dos meus avós, onde separação era uma coisa absurda e a mulher acabava sendo mal vista.

Quando existe parceria no casamento, se tem amizade, compreensão, confiança; as vontades que se tem ou que surgem, são conversadas e na maioria das vezes, realizadas. Como caberia traição num bom casamento? Onde os dois contam um pro outro o que querem fazer, conhecer, tentar realizar?

 Conversei com pessoas que traem/traíram e separei alguns depoimentos:

“Faço isso porque ele é bruto comigo. Sou dependente dele financeiramente. Temos um filho. Acho que ele já fez comigo. Não posso simplesmente dizer que estou indo embora, não sei sair disso. ”

“Se eu pudesse voltar atrás, não teria traído. Na época ele trabalhava viajando, eu tinha minhas necessidades. Recebia outros enquanto ele viajava para trabalhar. Hoje o que sinto por ele é uma saudade imensa. E sempre que penso em nós, lembro que ele faleceu enquanto viajava e eu estava com outro. Essa culpa vai me perseguir por toda minha vida. ”

“Com os outros eu podia ser o que eu queria na cama. Com ele tinha que ser somente o feijão com arroz. Há cinco anos, tenho meu relacionamento extraconjugal e somos felizes assim. Se meu marido descobrir, acho que me mata ou me enterra viva, mas eu faço, pra ser feliz e não penso nisso. ”

“Nunca se envolva com outra pessoa, mesmo que seja para satisfazer ou preencher alguma falha do seu marido. Eu tinha tudo com meu marido e hoje estou assim, sozinha com meu coração arrependido, mesmo estando ao lado do meu marido, porém o meu amor de verdade, não está ao meu lado como eu gostaria. ”

“Era um sentimento de aventura intensa, novas descobertas. Fazia pra me sentir melhor. Mas era horrível chegar em casa e olhar pra ele, para as minhas filhas. Era horrível me deitar com ele. Quando descobriu eu fui humilhada, escorraçada de casa. ”

“É errado a traição. Quem faz sabe que é. Mas faço procurando o que não temos em casa. Fiz uma vez, e outra, e hoje é algo normal. Se minha esposa descobrir, acho que ela me entenderá. ”

Descobri que hoje existem os relacionamentos extraconjugais virtuais, que “não são considerados traição”. Fico tentando entender, como não são? Como as pessoas acham que é certo? Como não tem nada a ver se com o tempo, boa parte dessas “conversinhas moles”, acabam num motel? Pra saber se é certo ou errado o que você está fazendo, pense que seu marido/esposa, estivesse ao seu lado. Pergunte a si mesmo (a) se ele (a) iria gostar de ver o que você está fazendo, iria gostar da conversa que você está tendo. É muito simples. Seu marido/esposa gostaria de ver você numa “conversa mole” com outra pessoa – não sendo um casamento aberto? Lógico que não! Como isso pode ser certo? Olhando com os olhos da razão, podemos perceber claramente que são apenas justificativas pra que o erro não fique tão pesado e a culpa seja minimizada ou anulada.

Falando com essas pessoas, analisando as situações, tentei entendê-las, ver de outra forma, o meu conceito de traição. Percebi que elas têm noção que é errado. E sofrem. Algumas pelos cônjuges, que são traídos, por toda a situação gerada; outras por amarem o (a) amante e estarem com marido/esposa; outras ainda por quererem mudar tudo e não terem coragem; vi também que têm os sacanas que traem e não tão nem aí. Esses que sofrem se agarram a desculpas para ter o que justificar e assim, se sentirem melhor, mas é inútil.

Apesar de todo esforço pra ver a situação de forma diferente, continuo pensando que o que falta mesmo, é diálogo, amizade e parceria e sobra mau-caratismo. E que, no fundo no fundo, fora as pessoas que são sacanas, a traição é o resultado de uma escolha errada, num momento ruim e mal pensado, seguida de atitudes erradas e um monte de mentiras, que só gera sofrimento. Esconder não deve ser difícil, hoje existem vários sites discretos para entrar em contato com outras pessoas “que querem relacionamento discreto”… não vale à pena se sujar desse jeito. Se não está feliz com seu relacionamento, dê um tchau, mas não desça ao baixo nível de trair e achar que você faz isso por ser vítima.