Olhai os Invisíveis

Achou que era para olhar os lírios do campo né?! Os lírios também merecem ser olhados, mas os ‘Invisíveis’, necessitam desse olhar, urgentemente. Não estou maluca, não são invisíveis de fato. Os chamo assim, porquê boa parte da sociedade faz questão de não enxergá-los.

São as pessoas deficientes visuais. Os idosos que têm dificuldade em atravessar a rua, por não ter mais tanta firmeza nas pernas, por medo, ou por ter de usar alguma muleta ou coisa do tipo para atravessar. As pessoas que não tem o que calçar. As pessoas que até ontem estavam empregadas e na sociedade e hoje, por motivos financeiros, passam fome debaixo do seu nariz. As pessoas que precisam de ajuda e você finge que não vê.

Por vezes, me pego pensando qual será o motivo dessas pessoas não serem ajudadas com facilidade? Por que quase ninguém as vê? Como pode, ver alguém precisando de ajuda e ficar só vendo, sem tomar nenhuma atitude? Será que é assim, tão difícil?! Porquê pra mim, não custa nada. Aliás, eu até gosto, sinto falta de ajudar. Não importa o lugar em que eu esteja. Não me aguento. Se não tomo a atitude de ajudar, não sou eu.

Um dia, há tempos, fui com Renato ao cartório, ajeitar uns documentos e na saída, caminhando pela calçada, falando com ele, vi três senhoras. Uma tentando ajeitar a cadeira de rodas, outra pensando como ia tirar a terceira do carro, sendo que a primeira tava segurando a cadeira e a terceira também sem saber como sair dali.

Vi aquilo e só falei pra ele “peraí, só um minutim!” e fui em direção com às duas senhoras “ei, posso ajudar?!” e já fui segurando e firmando a cadeira. Ganhei três abraços, três sorrisos e três agradecimentos. Ganhei na verdade, foi o dia, porquê três abraços de três senhorinhas fofas é algo inexplicável!!! E assim eu vivo aqui em Porto Alegre, atenta a ajudar. Sempre.

Não sou a Miss Ajuda Humanitária, nem quero ser. Já fui questionada se daqui a alguns anos, vou me candidatar a vereadora. Deus que me defenda! Não ajudo para aparecer, nem pra me auto promover. Ajudo para me sentir mais gente, por não me custar nada e por não conseguir ver alguém precisando de ajuda e ficar quieta. E muita gente ajuda o próximo assim, não sou só eu.

Lembra do Zeca Pagodinho, ajudando o povo em Xerém, na enchente que deu em janeiro de 2013?! Ele ajudou partindo do mesmo princípio que eu: pelo simples fato de ajudar, de ver a pessoa precisando e não custar nada dar um apoio. Muita gente fala mal dele, por ser umbandista, ter terreiro, beber cerveja. Prefiro elogiá-lo por ser humano de verdade! Independente da religião e gostos dele. Tem muita gente aí, metida a santinha, pagando de cristã e que infelizmente, não move uma palha em auxílio alheio!

É a coisa mais simples do mundo ajudar os invisíveis. Basta estar disposto (a). Quantas vezes no seu dia-a-dia, andando louco (a) pela rua, atrasado (a) ou pensando em mil coisas, você se depara com essas pessoas – os Invisíveis – e passa direto? Nem sabe, né?! Claro. Elas não são visíveis para os seus olhos. Essas pessoas, não saem pedindo ajuda, mas elas precisam. E não te custa nada ajudar. Aliás, ajudá-las, fará mais bem a você do que à elas. Não me pergunte o porquê. E não vai te atrasar, nem atrapalhar sua vida.

Passe a enxergar essas pessoas. Se ver alguém pela rua, se batendo em lixeiras ou caixas de correio, sendo deficiente visual, questione se pode ajudar. Ao esperar para atravessar a rua, veja se não tem nenhum (a) idoso (a) para ajudar a atravessar. Andando pela rua, ou em qualquer outra situação da sua rotina, tenha olhos atentos para fazer o bem ao próximo.

Faça campanhas no facebook para ajudar alguém que está em situação financeira complicada e passando fome ou necessidade, faça contatos para reinserir essa pessoa na sociedade, ajude-a a arrumar emprego. Faça parte de algum projeto de voluntariado.

Ajude!!! Isso vai acabar se tornando um hábito. Você vai ver que realmente não custa nadinha e quem sai ganhando no final, é você. Por obséquio, lembre-se do filme “Os intocáveis” e não veja essas pessoas como coitadinhas, pois não são! E óh, sem essa de “ah, no Natal eu ajudo!”. Por favor, quero nem comentar isso! Me poupe!