Obrigada por me derrubar, vida… fiquei mais forte

É, a vida fode mesmo. É inevitável, mas me deixou mais forte. Já dizia meu Avô… “A vida é doce, mas não é mole não”. Eu sou apaixonada por ela, mas quando ela resolve derrubar, vem aquele turbilhão de coisas e o mundo desaba na cabeça da gente. Só quem já passou por isso sabe a merda que é, ter que respirar fundo e dizer “fode mais, querida! Tá pouco!!!”.

A gente tem que reunir forças dos quatro cantos de sei lá onde, sorrir e acenar como se nada tivesse acontecendo. Seguir respirando. Emanando força, estando destroçada por dentro. E quando o mundo decide desabar na nossa cabeça, o que nos resta é ativar a habilidade “se reinventar”. E sim, nós mulheres, apesar de sermos vistas como “o sexo frágil”, nos reinventamos.

A gente pode até chorar 3 dias, ficar sem comer, querer passar o dia dormindo. Normal. Cada uma passa pela tempestade de forma diferente. Mas a gente sacode a poeira e segue em frente. É aquela coisa da “estranha mania de ter fé na vida”: nós temos essa mania e a cultivamos com louvor.

Toda tempestade que passamos, independente da devastação que ela provoca em nossa caminhada, nos torna mais fortes. E é aquela coisa que vem, destrói a nossa tranquilidade e leva a nossa paz. É bem assim mesmo! Você pensa “eu não vou aguentar”, “por que justo comigo?”, “de novo, tanta merda?”, “eu mereço”. Sim, pensamos tudo isso mesmo e estamos no nosso direito de questionar tanta confusão ao mesmo tempo.

É nessa hora que você deve se lembrar de três coisas:

– você só passa pelo que consegue suportar;

– isso vai passar;

– você vai sair mais forte disso.

Eu sei, parece clichê. Mas não é! Se eu fosse listar aqui, cada merda que passei e traçasse um paralelo de como me tornei mais forte, você cairia da cadeira! Foi muita coisa mesmo! Situações que eu nunca imaginei!

Não tô falando de quebrar uma unha, de não ter grana pra ver o Caetano aqui em Porto Alegre – ano que vem, vou ver, com a graça de Deuso, de querer comprar algo e não poder, de querer ter quinhentos livros, distribuídos em três paredes pela casa. Falo do que nos vem, sem esperarmos e nos deixa mais fortes quando passa.

Falo de coisas sérias mesmo! De ter que sair da casa da minha Avó, só com as coisas do meu quarto, porquê o filhinho mais novo dela, transtornado e louco, resolveu me empurrar de uma rampa – deu Maria da Penha, fui morar sozinha, sem emprego – foi barra! Falo de perder o pai que eu tive, aos 17 anos, meu Avô e querer morrer junto – por ser o parceiro que eu tinha, beber todo o whisky bells que ele deixou na dispensa pra ver se a dor passava enquanto eu dormia, bêbada da silva. Falo de ter um ex que quebrou tudo que conseguiu na minha casa, roubou minha moto e fomos parar numa delegacia, às 3 da madrugada de um domingo – depois de tomar um pé na bunda que ele mesmo cavou.

É… Viu? É muita merda! Nunca me vendi, nunca fiz nada que desabone a memória do meu Avô. E saí de todas as tempestades! Linda e bela! Mais forte! Eu podia encher esse artigo de utopias, provérbios chineses, coisinhas da bíblia, de Jesus e palavrinhas doces. Mas não vou fazer isso.

Eu sou ariana. Eu prefiro olhar pra frente e dizer: “fode mais, vida, que tah pouco!”. Pronto! Não me faço de coitadinha, choro, sim. E muito. Ainda bem! Conheci uma pessoa que tentava chorar e não conseguia, isso é agoniante.

Chorar alivia. Eu choro uns dias e me levanto. É assim que eu encaro cada merda, cada decepção, cada dificuldade que a vida resolve me trazer! E depois agradeço, saio sempre mais forte! É quase que uma droga no sangue, enfrentar as merdas e vencer. É viciante! Fácil não é, seria ridículo eu te dizer isso. Mas é possível vencer. E sim, saímos mais fortes disso.