O Brasil não comporta o Pokémon Go

Quem não se lembra de Pikachu e companhia, não é da época de Pokémon. Esse desenho se originou de um jogo japonês e chegou aqui no Brasil no final da década de 90. Foi uma febre. Teve até filmes. Eu era fã, não nego. E ainda amo assistir não só esse como outros desenhos animados. São melhores que os atuais, feitos em computadores. Estou bem preocupada com o lançamento do jogo aqui no Brasil. Por ser, claro, nosso querido, verde e amarelo, Brasil.

Infelizmente, o Brasil não está preparado para o Pokémon Go. Não estou falando de tecnologia. Isso aí eu nem sou louca de discutir. Certamente a empresa criadora do jogo, Niantic, pensou em tudo e parametrizou o Brasil para a chegada do jogo e vai funcionar bem, sem sombra de dúvidas. Falo da viabilidade social de um jogo desses em um País como o nosso. Não temos nem a liberdade de ir e vir a noite pelas ruas, em segurança. Quem dirá, ficar por aí com celular na mão, em “outro mundo”. Quando se fala em Pokémon Go, aqui no Brasil, qual a primeira coisa que vem à sua mente? Seja sincero consigo mesmo e responda só pra você. Tire a emoção e pense apenas na viabilidade social. A resposta é: quanto tempo o celular vai durar na mão da pessoa enquanto caça pokemons?

O jogo chegou hoje no Brasil. Eu não tenho o mínimo interesse em sair por aí com o celular na mão, caçando Pokémon virtual no mundo real. Já li que algumas pessoas se machucaram de verdade nos países onde o jogo já existe – foram atropeladas, bateram o carro, caíram em buracos – tudo por causa da vibe do jogo que te tira do mundo real em busca desses pokemons. Não tenho a mínima curiosidade de baixar o jogo, não atiro pedras em quem baixou e estava ansioso pra chegada do jogo, mas tenho a certeza de que aqui, no nosso Brasil Varonil, vai dar é muita merda! O Brasil é um País que não está preparado para o jogo. Simples assim.

Imagine a cena: uma pessoa com um galaxy edge 7 dourado, lindo, maravilhoso, andando aqui mesmo, pela Andradas, em Porto Alegre, caçando pokemons. Não tem nenhum policial na rua. É o horário de meio dia. Muita gente pra lá e pra cá, em horário de almoço. Quanto tempo o celular dura na mão dessa pessoa? Imagine agora essa pessoa, com o mesmo celular, andando por Belo Horizonte, no centro também. Quanto tempo dura o celular na mão dela? E se ela andar pelo Rio de Janeiro? E se for em São Paulo?

É aí que mora a minha preocupação. Já não basta o quanto as pessoas hoje ficam com os celulares nas mãos, ainda vem um game desses pra aumentar o índice de pessoas vidradas no celular. Dia desses, estava na praça de alimentação do Barra, ali da Zona Sul, e vi uma coisa triste: um pai e uma filha na mesa, aguardando o pedido. Ele com o telefone na mão e ela, de frente pra ele, sem nada nas mãos. Ela olhava pros lados, ela acompanhava o movimento e de vez em quando, tentava puxar papo com o pai com algo como “pai, olha aquela guria, que linda”, “paaaaiiii, o tênis delaaaa”, “pai, vai demorar muito nosso almoço?”. O pai olhava, falava qualquer coisa, voltava a usar o celular. Eu quis abraçar aquela menina, olhar pra ela e conversar com ela por horas. Esse pai está criando uma pessoa carente e talvez nem saiba disso. Espero, quando for mãe, sinceramente, que meu filho ou minha filha, seja mais importante que meu celular. Não fui criada pelos meus avós, com telefones em mãos e espero que meu filho ou filha também não seja. Claro, vai rolar selfies, joguinhos, mas não quero que essa criaturinha, que não tem culpa de nada, tenha que disputar a minha atenção com um aparelho telefônico.

O Pokémon Go fará com que as pessoas percam dados, informações, senhas, aparelhos, noção e talvez até um pouco da saúde mental. Tudo isso seria legal se fosse só a coisa do jogo, de caçar pokemons e se divertir. Mas não é bem assim que a coisa acontece.  Nosso País não oferece o mínimo de segurança pra um jogo como esse! A Niantic não tem culpabilidade alguma nisso. Nem quem decidir jogar pelas ruas.

E eu, só desejo sorte aos jogadores! Sério povo… Boa sorte!!!