Não aprendemos a amar…

Não aprendemos a amar. E nem adianta contratar coach de relacionamento ou coisa assim. Quantos casais de idosos você conhece, casados há anos e estão bem? A maioria vive brigando. Tem até os que se agridem fisicamente – isso não pode ser saudável. O povo anda procurando relacionamento até na OLX. Incrível como em plena era da comunicação, estamos nos perdendo. É estranho, tanto aprendizado ao longo dos anos e não aprendemos o básico, que seria amar.

Aprendemos a sentar-nos à mesa. Aprendemos a nos vestir. Aprendemos a nos portar nos mais diversos locais e eventos. Aprendemos quando nos calar. Aprendemos a segurar o sono e não dormir nas aulas da escola – ou dormir até o horário do intervalo e despertar a compaixão do professor a ponto de ele dizer “antes dormindo, que atrapalhando a aula”. Aprendemos a arte de nos comunicar. Aprendemos como nos comportar em entrevista de emprego. Aprendemos a transar. Aprendemos a ter prazer. Aprendemos como dar prazer. Aprendemos a ter relações saudáveis, com sexo, mais sem compromisso. Aprendemos até, como deixar saudade e tirar o time de campo. Inclusive, aprendemos a beber todas e não ter ressaca. Ah, aprendemos também a lidar com gente mal-amada, com gente falsa, com gente amarga. E por aí vai, a lista do que aprendemos.

Está mais fácil anunciar o fim de relacionamento de anos, que seguir adiante. As pessoas temiam a “crise dos sete anos”, hoje ela vem à galope, aos quatro, aos seis. E acaba com os casamentos. É mais fácil ir cada um pro seu lado, que sentar, dialogar e se entender. Há alguns anos a “teoria da vaca nova”, deixava a mulherada com receio. Hoje, com a fácil oferta de sexo, quem fica com medo é quem acha que está tudo oquei, independente de ser homem ou mulher.

E a oferta e procura de relacionamentos é assustadora. Dia desses vi, em um dos muitos grupos de facebook que tenho – sou uma apaixonada incurável pelo comportamento humano – um post: “procuro relacionamento sério, com mulher que queira algo de verdade, que seja parceira e aceite meu filho com minha ex. WhatsApp (xx) xxxx-xxxx. Melhor que resida na Zona Norte. Favor não mandar nudes, não há essa necessidade”; gente, era um grupo de classificados! Trocentos comentários na postagem, de mulheres interessadas como: “eu quero, enviei whats”, “também tenho filho, gostei de ti, zap enviado”, “oi, enviei inbox, estou sem telefone”. Diversos comentários assim, eu ia lendo e pensando “meu Pai do céu, mas nem se conhecem, quê isso? Cadê aquele relacionamento fofo que começava na fila do pão, na faculdade, na livraria, na fila do cinema?” – devo estar velha, só pode.

Nos tornamos mercadoria no Feirão do Amor. Os Tinder e Happn da vida que o diga. Tomamos o lugar dos frangos que giram no forno que fica na calçada aos fins de semana. Estamos topando qualquer negócio, afinal, gostar da própria companhia é complicado demais e o melhor é ir pulando de namoro em namoro até achar um que dure. Não aprendemos a amar. Falamos “eu te amo” para os amigos. Para os peguetes não. Para os namorados não. Para os PA, nem pensar. Amar os amigos é tranquilo, os enrolos não. Não fomos ensinados a amar. Até pular muro de escola e matar aula, aprendemos. A amar não.

  • Adriana Sparvoli

    Parece que amar virou coisa de gente fraca e ridícula hoje em dia. Uma bosta

    • Gabi Barboza

      Triste….