A polêmica gerada pela hastag Mexeu Com Uma Mexeu Com Todas

Nasci em 1985, tenho 32 anos.  A hastag Mexeu com uma mexeu com todas, é uma vitória do feminismo. No tempo em que fui criada, mulher era inimiga natural de outra mulher. E assim, o machismo nos oprimia mais e mais. Na minha adolescência, acreditava que se o marido traia a esposa, “a culpa era da esposa”.

Ainda bem que eu acordei! Conheci o feminismo, me apaixonei pela causa e hoje sou feminista. Ainda há muito o que aprender, claro. Fomos criadas no machismo. Repetimos ideias e frases machistas, achando que isso é o correto.

A entrevista de Caio Castro para o programa “Na lata”, é a prova de que ainda temos muito o que evoluir. Antônia Fontenelle disse “eu se eu fosse homem não comeria mulher bêbada na balada”. E também falou: “mulher não pode ficar bêbada na balada”. Disse que é nojento mulher bêbada na balada.

Não sou das que apontam o dedo pra uma mulher e dizem “você é machista” como o ator fez. Explicaria a ela que não é nojento uma mulher ficar bêbada em lugar nenhum. E que cu de tonto tem dono sim. Ela disse entre as frases machistas que “não tem”. Ela é resultado do machismo arraigado em nossa cultura.

Quando a esposa do cantor Vitor foi à uma Delegacia em Minas Gerais, acusa-lo de violência doméstica, muitas mulheres a criticaram. Isso também é indício do machismo. Acredito que 99,99% das mulheres que vão à uma Delegacia, acusar o marido de maus tratos, têm motivos pra isso.

Felizmente, mesmo com o post dela no facebook dizendo que não foi agredida, o melhor aconteceu. A polícia de Minas Gerais pegou as imagens das câmeras. E assim, o cantor Vitor Chaves foi indiciado por agressão. A ex de Vitor, Claudia Swarowsky, também teve problemas com ele.

Ela era assistente de palco do Domingão do Faustão. Se casaram por 3 meses. E ele exigiu que ela saísse do programa por ciúmes. Vitor desde o início da situação com a esposa, Poliana Chaves, negou as acusações. Diante das imagens das câmeras, disse “pela minha filha, faria de novo”.

Com esse assunto ainda na boca do povo, veio o fim da novela “A Lei do Amor”. E a acusação da figurinista Susllem Tonani contra o ator José Mayer. De ter a assediado durante 6 meses. E tocado sua região íntima sem o seu consentimento. José Mayer, claro, negou tudo e ainda teve a capacidade de dizer que Su estava confundindo vida real com o personagem dele, Tião.

A Globo deu uma fria resposta como fez no caso do Vitor, de que repudiava a atitude, nada aconteceu. Felizmente, uma produtora da Globo, Catarina Rangel, resolveu andar na “contramão”. Chamou umas atrizes, que chamaram outras e colocaram a boca no trombone. Criariam a campanha Mexeu Com Uma Mexeu Com Todas.

À essa altura, nós feministas, defendendo as duas nas redes sociais, éramos chamadas de tudo que é nome. Piranha pra cima, claro. Eu, Gabriele, entendi desde o começo que ambas eram vítimas, infelizmente. Antes quisessem 15 minutinhos de fama e holofotes como muitos apontaram, mas não! Foram agredidas.

A Globo, ao ver tantas mulheres na campanha, expulsou o ator da empresa. Ele acabou assumindo que “errou” e “entendeu que a brincadeira passou do tom”. Brincadeira? O nome disso é falta de respeito! Ainda bem que surgiu a campanha Mexeu Com Uma Mexeu Com Todas.

Muita gente atirou pedras na campanha, usando a situação da Dilma. E de outras mulheres que ficaram por isso mesmo. Vejo com outros olhos: olhos de esperança. De que o Feminismo está mudando muita coisa no “País do Machismo”. E torço pra que essa campanha não seja esquecida.

É um marco, um divisor de águas na História do Brasil. Se antes não foi feito nada, agora foi. E isso que importa. É estranho cobrarem a situação da Dilma, pois isso implica em política, jogo de interesses. A Globo foi a favor do impeachment.

Isso não entra em questão feminista e sim política, é muito pior. A campanha Mexeu Com Uma Mexeu Com Todas foi criada dentro de uma emissora, Globo, onde esses assédios são constantes. E isso foi um “vamos parar com isso, não nos calaremos mais” que serviu pra que outros acontecimentos viessem à tona. E serve também pra mostrar que as atrizes não toleram isso, apesar da maioria ficar em silêncio.

Já viram as novas propagandas de cerveja? Não tem mais mulheres semi-nuas-objetos na tela! As da Skol aqui no Rio Grande do Sul e da Brahma, são provas disso.

 

Da Skol:

 

Da Brahma:

 

Fiquei tão feliz com isso, que fui na página da Skol, deixar um agradecimento:

“Oi povo do MKT da Skol. Quero agradecer a vcs por essas propagandas que andam fazendo. Enfatizando em gente! Convívio social! E por colocarem fim na objetificação da mulher, através das propagandas que traziam atrizes semi nuas, em bares. Jah tem outras marcas de cerveja acompanhando esse close certo de vcs! Aqui no RS, a primeira marca de cerveja que vi fazendo comercial assim, foi a Skol. Então pra mim, vcs são os pioneiros nisso! Obrigada, mesmo! <3 É uma nova era! E obrigada tb por colocarem um demoninho na Skol Beats Senses, amooooo! 🙂 Era isso. Bom trabalho aí, seus lindos!”

 

Claro que tem quem peça a volta do Machismo. Vozes ativas do patriarcado que nos pisaram anos e anos. Mas isso é passado:

 

Um dos meus artigos pro Superela, foi publicado no HuffPostBrasil. É o que fala sobre as 5 atitudes que explicam o que é a cultura do estupro. O artigo foi feito ano passado. E dentre as 5 atitudes, eu falei das propagandas de cerveja. Foi lindo ver a primeira propaganda de cerveja sem mulher semi-nua. Isso foi logo depois da Globeleza vestida, pelo que me lembro.

Que a campanha Mexeu Com Uma Mexeu Com Todas seja uma constância entre nós, mulheres. Aquele tempo em que éramos inimigas mortais, está ficando pra trás. Descobrimos que juntas mais fortes. E isso é lindo.

Cada vez que duas mulheres ou mais se juntam em prol do respeito que por muitas vezes não temos, o machismo fica mais fraco. Feminismo não é o contrário de machismo. Nunca foi.

Feminismo é a união das mulheres em prol do respeito pelo simples fato de sermos mulheres. E independentemente de onde estamos, como e com quem, merecemos respeito.

Tenho muito orgulho de ter vivido pra ver a Globeleza vestida. E mais orgulho ainda de ver a hastag Mexeu Com Uma Mexeu Com Todas, isso me dá esperança de que estamos escrevendo uma nova cultura no Brasil. Que essa sororidade – união e aliança entre as mulheres, baseado em empatia e companheirismo- seja constante!

E sim, Mexeu Com Uma Mexeu Com Todas! Há 2 dias a campanha foi lançada no Acre e tenho certeza que se espalhará pelo Brasil! Não nos calaremos.  Juntas, somos mais fortes!