A melhor dança da minha vida

Quando eu já não acreditava mais no amor nessa vida, por causa daquele ex que me fez sentir-me como se ninguém pudesse me amar, como se eu fosse louca, como se eu fosse alguém impossível de conviver, você me fez dançar. Você veio devagar, pelas beiradas. Foi amigo, foi presente, me ouviu, se aproximou sem o menor sinal de segundas intenções.

Até por que, se eu visse alguma atitude de interesse ou que demonstrasse segundas intenções amorosas, eu acabaria com a nossa amizade, sem hesitar. A ferida ainda estava aberta e eu não permitiria ninguém se aproximar. Eu tinha feito uma lista do “homem perfeito”, pra que eu nunca achasse essa pessoa e assim, não me apaixonasse nunca mais. Eu era daquelas que dizia que só iria me casar aos 200 anos. Eu era a bonita-atrapalhada que só usava all star. Eu mal saia de casa. Eu era das que não davam trela a ninguém. Eu mandava todos os caras pastarem.

E você foi chegando, com cuidado, se mostrando um gentleman, me encantando… Quando dei por mim, estava dançando o seu ritmo. Totalmente entregue, sem defesa e amando tudo isso! Ainda hoje, quando estamos ouvindo alguma canção e você me pega pela cintura, dizendo “calma, é só seguir o ritmo e se deixar levar”, você me faz dançar. E me mantém apaixonada.

O mundo hoje anda besta demais, meu dançarino. As pessoas fingem não se querer pra terem uma à outra. A comunicação é estreita, mas não pode mostrar que está a fim, por que o outro desdenha. Juro. Não entendo essa coisa de hoje não… Acho que morrerei sem entender. Com a gente foi tudo tão natural. Sem joguinhos. E hoje, eu sinto que fiz a melhor escolha da minha vida, optando por estar ao seu lado.

Já pensou quantas pessoas no mundo, passam por N relacionamentos e não conhecem nem vivenciam o que temos? E quanto mais eu tentar explicar, menos será possível entender. Só nós, que optamos por dançar juntos nessa jornada, sabemos o que enfrentamos, o que vencemos e o que estamos construindo.

E nesses mais de quatro anos, já sambamos, já sertanejamos, já rebolamos, já forrozamos, já rolou bossa, já teve até o famoso lerê lerê nas faxinas de fim de semana – que eu detesto, mas você me faz dançar sorrindo! E eu amo dançar com você, dia a dia, minha vida! Mesmo não sabendo dançar, você me torna a melhor bailarina! Me faz sorrir nos momentos mais complicados, me cuida, me ama, me vê quando estou podre de gripe com o mesmo olhar de quando estou linda e bela pra sairmos pra balada. É a melhor dança da minha vida!

Bora, dançar mais uns duzentos e cinquenta anos! Bora colocar um bacuri pra dançar junto! Bora passar noites ninando ele. Bora dizer “vai, é você agora”, pela madrugada quando ele chorar. Ou, bora liberar o cartão de crédito se for uma menina, por que a gente vai se jogar na estética! No shopping! E você não poderá reclamar. Pois, a sua esposa e a sua filha tem que ser as mais lindas desse salão chamado vida. E vamos dançar é muito! Os três! E a vida vai nos aplaudir por aí…

Este artigo foi feito a pedido da minha miga Kel, de Brasília, para uma revista que ela fez no curso de Jornalismo e teve como tema, a dança.