A Flor e o Lobo Mau

O Lobo Mau chegou sem aviso na vida da Flor. Inundou os sentimentos dela. Bagunçou a cabeça da Flor, a fez rir e chorar. Ela permitiu que ele a conhecesse em pouco tempo, como ela era de fato. Até alguns defeitos, de comportamento, ela escancarou pra ele.

Isso em algum tempo assustou o Lobo Mau, mas ele gostava dela. O conjunto todo da Flor compensava os defeitos dela. Quanto mais conversavam, mais o interesse por ele aumentava. Existia muita coisa em comum entre eles. Eram dois malucos. Ela chegou a se apaixonar de verdade por ele. Isso quase colocou tudo a perder. Ele não estava disposto a ter algo sério, sempre deixou isso claro pra ela.

Ele sabia quando ela estava triste ou nervosa, só de olhar pra ela. Ela adorava isso nele. Ela foi parceira sempre que ele precisou. E nunca se arrependeu por isso. O papo entre eles fluía como se fossem amigos há séculos. Depois de um tempo, ele ficou um pouco diferente. Ficou frio.

Ela ficava triste pela resposta dele que não vinha. Ela queria aprender a ser fria como ele era. Ela amava escrever e ele gostava de ler, mas contato pra ele era físico, ele não sabia mesmo lidar com romantismo. Ela queria deixar de ser tão flor e aprender a ser gelo.

Ela lembrava dos abraços, dos carinhos e dos beijos dele quando o dia ficava pesado demais. Ela era romântica e ele, lobo mau, frio; mas carinhoso quando estavam juntos. Ela nunca entendeu isso. E desistiu de entender. Era o mais sensato a fazer. Ele plantou um sorriso besta no rosto dela. E ele plantava também as lágrimas com tanta frieza. Pra ele isso era normal. Pra ela o fim do mundo. Ela continuou sendo flor e ele, lobo mau.

Eles trocaram carinhos por muito tempo. A amizade e parceria deles era linda, o amor nunca surgiu, ela nunca esperou por isso. E ela aprendeu a não ficar triste com a frieza dele e entendeu que pra ele, o olho no olho era o melhor. Ela aproveitou então cada segundo ao lado dele, pois sabia que aquilo tinha prazo pra acabar.

A Flor fez o Lobo Mau muito feliz e ele a fez a mulher mais feliz do mundo, em cada momento em que estavam juntos. Ela amava o sorriso dele. E ele amava como ela era sacana, quando estavam a sós. Ao desistir de ser romântica com ele, parou de esperar tanto retorno e de tentar contato.

Assim, a Flor aproveitou mais o que eles tinham, no momento em que estavam juntos. Ele era lobo mau. Não queria romance. Adorava ela e a presença dela, mas não passaria disso. Era assim que ele gostava. Não era fácil pra ela. Ela era flor. Mas ela aprendeu que era o melhor a fazer e se adaptou a essa condição. Afinal, para continuar com o Lobo Mau, precisava dançar no ritmo dele.

E como o primeiro beijo não foi o último como ela julgou que fosse, ela se sentia na verdade, uma sortuda. Aconteceu mais que um beijo. E ela agradeceu à vida, por tudo isso; afinal, ela o desejou e ele também, assim ela o teve. O único Lobo Mau que teve na vida, a fez sorrir com beijos carinhosos e a amou como ela nunca imaginou, entre quatro paredes.

Terminou como começou: com amizade. Pois ao não se olharem mais, acabou-se tudo já que ele era frio e não escrevia nada pra ela, nunca, mal a respondia. Ela estava preparada pra isso e feliz, apesar de tudo. Ela foi gelo, foi fogo, foi riso, foi ela mesma e ele também.

Ninguém se enganou e se aproveitaram ao máximo. A comunicação entre eles tornou-se precária. Ele gostava de ligações, ela não. Ela gostava de mensagens escritas, ele não. E ficou por isso mesmo.

Dizem por aí, que às vezes, a Flor e o Lobo Mau se falam. Não imagino como. Se eu descobrir, conto pra vocês!