Há pessoas que vão te odiar, não importa o que você faça!

Não existe pílula mágica da Tailândia que as façam mudar de ideia. Você pode ser educado e pedir licença, prezar pela cordialidade ou carregar uma melancia quadrada pra pessoa quando ela estiver carregada de sacolas plásticas de supermercado. Pode agir com simpatia e extremo tato, nada disso ameniza os sintomas da ojeriza gratuita – ou por motivos praticamente irrelevantes.

Você sempre estará aquém das expectativas de alguém. Que normalmente se acha superior a você – e pode até ser em alguns aspectos, se formos considerar os critérios da sociedade. Mas que nem sempre é de fato tão imbatível quanto aparenta. Pelo contrário, é tão frágil quanto uma taça de vinho trincada, a um passo de estilhaçar. A fita métrica do valor pessoal é muito relativa, assim como a resiliência e o sofrimento. Cada um sabe o peso das pedras alojadas nos próprios sapatos.

Ninguém é obrigado a ser amigo de ninguém. Mas o respeito é algo que deve ser dispensado a todo e qualquer ser humano. Dar bom dia, olhar nos olhos – em vez de se esquivar como um animal ressabiado, tudo isso faz parte das boas regras de convivência em sociedade. Que todo mundo conhece. Mas entre teoria e prática existe um caminho que passa pela maturidade, pelo controle do ego e da diminuição do umbiguismo.

O sentimento por trás da repulsa e da hostilidade, grande parte das vezes, é a inveja. Explico: a gente tem antipatia generalizada de alguém que:

1) Admiramos e não conseguimos ser como elas, mesmo nos achando melhores financeira, intelectual e esteticamente, por exemplo;

2) Apresenta características lidas como indesejáveis e que possuímos – e desejamos melhorar em nós mesmos, mas não obtemos êxito. Por não ter tanta força de vontade assim como acreditamos, ou por incapacidade crônica mesmo.

Eu pensava que o caminho pra lidar com pessoas mimadas e difíceis era ser eternamente paciente, receptiva e humilde. E quase sempre deu ruim. O segredo é trata-las no mesmo nível. Não com grosseria. Não se trata de simplesmente revidar. É preciso se posicionar como ser humano para que a pessoa não te jogue no subsolo da existência, quebre seus ossos, destrua a sua sanidade e dance música flamenca em cima da sua dignidade.

Você não tem que dar sempre a outra face, se não se sentir confortável pra isso. Você não precisa sorrir e fingir que tá tudo legal, em nome do bem comum e da convivência não conflituosa. Você tem o direito de discordar, se expressar e ser tratado como gente – e não como um caminhão pipa de lixo. Você não precisa amar todas as pessoas. Você não precisa ser amigo de todo mundo. E tudo bem.

Ódio nem sempre deve ser respondido com amor. Demonstrar – com atitudes – que nada é mais confortável do que ser você mesmo pode ser um ótimo posicionamento. É estratégico mostrar que você não é tão maleável quanto parece. Tão líquido quanto o curso de um rio. Tão manipulável quanto uma amoeba um boneco de posto de combustível. Tão disponível quanto uma loja de conveniência ou um delivery de comida rápida, completamente adaptável aos caprichos e necessidades de quem não suporta a si mesmo e projeta no outro seus fracassos e sua miséria existencial. Pessoas perdidas, sugadoras e sem propósito precisam também de muita oração. Para que consigam se libertar de um ciclo ardiloso de energia destrutiva que as tornam infelizes e respingam em quem as rodeiam. Mas que só nos contaminam se a gente estiver na mesma sintonia. E isso, eu jamais permitirei.

Não ando só. E proteção divina eu tenho pra vender, penhorar e distribuir aos mais necessitados. Porém, só aqueles que são abertos à vida podem ser ajudados. No fim das contas, os acontecimentos presentes e futuros são a melhor resposta pra pessoas que desejam o mal alheio. Não me vingo. A vida bota na conta do universo. E ele é infalível.

 

ass

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