Evoluímos muito, mais ainda tem chão pela frente…

Graças ao feminismo evoluímos muito e deixamos de ser omissas. Quando me lembro das propagandas de cerveja que antes mostravam mulheres-objeto. E ficava clara a mensagem de que cerveja era “coisa de homens” e vejo as propagandas de hoje, fico feliz. As atuais, são focadas em pessoas.

Pois é isso: não são só homens que consomem cerveja. Pessoas bebem cerveja. É uma alegria ver essa evolução. A televisão conversa muito com a população e mesmo alguns macho-alfa protestando em páginas como a da Skol por exemplo, pela “falta” das gostosas-de-plantão, a nova tendência segue firme.

Mas ainda tem chão pela frente. Sentimos medo de andar pelas ruas. Pensamos em qual roupa vestir se estivermos sozinhas. Há homens que se julgam donos de mulheres ainda. Pensamos se “está tarde pra sair pela rua”.

Vivemos em muitas situações do nosso cotidiano, como condenadas, nos escondendo. Pensando mil vezes antes de fazer isso ou aquilo. Por causa do que a cultura do machismo nos impôs.

Quero poder me vestir sem ter que pensar de antemão se o local que eu vou tem muitos caras desconhecidos ou potencialmente perigosos. Quero poder me vestir sem ter que pensar que se eu usar um decote ou um short alguém vai se achar no direito de reivindicar MEU corpo como seu.

Sem me preocupar que não me darão o devido valor por andar com tais vestimentas na rua. Evoluímos muito, mas ainda temos o que mudar nessa sociedade machista.

Quero poder andar na rua depois que anoitece sem me preocupar em escolher as ruas que tem mais movimento. Ou que são mais iluminadas porque o meu “potencial inimigo” pode ser qualquer um que tenha um pinto no meio das pernas, seja ele um mendigo, um atendente, um vizinho, aquele colega de trabalho…

Evoluímos muito, mas tem chão pela frente. Extenso e largo.

Quero poder andar numa rua vazia num domingo à tarde e não ter uma taquicardia a cada vez que passo por um grupo composto apenas por homens.

Quero sair pra um lugar desconhecido sem ter que me preocupar em combinar de antemão uma carona ou um taxista de confiança, aquele que não vai se aproveitar ao se deparar com uma mulher semiconsciente. Quero poder dançar e beber sem ter ninguém passando a mão no meu corpo sem minha permissão expressa.

Quero poder beber sem me preocupar em nunca tirar o copo ou garrafa das mãos e de perto dos olhos porque alguém pode colocar algo na minha bebida. E assim, eu posso acordar nua e violada em algum lugar desconhecido, ou nem acordar.

Quero poder ir ao banheiro de algum show/ balada/bar sozinha sem me preocupar que algum cara me encurrale no banheiro ou no caminho até ele. Quero poder sorrir para as pessoas na rua sem ter o receio de que tal gesto seja considerado um convite.

Evoluímos muito a partir do momento em que decidimos deixar de ser as que diziam “sim senhor, não senhor”. Mas ainda há muito a mudarmos. E vamos conseguir. Quem diria que as propagandas de cerveja iam mudar o conceito?

Pra 2018?

Quero poder ir e vir sem medo e quero que todas as mulheres do mundo também o possam. É um desejo pro resto da vida. Fecho os olhos e mentalizo.

 

E espero ansiosamente o dia em que todos esses desejos se tornem realidade.

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Esse artigo, é de uma das minhas convidadas a escrever aqui no Blog, a Sara Stephane!

Paraense com um pedacinho do coração goiano, mas não puxa o “r” nem chama os outros de “mana”. Sotaque indefinido. Mãe de um vira-latas lindo de 70 cm de altura e apaixonada por animais. Advogada porque acredita que a justiça tem jeito e pra mudar só depende das pessoas. Fascinada por história e estórias. Falsa tímida e metida a engraçadinha. Tem um fascínio por palavras desde que se entende por gente, tanto que resolveu escrever na pele aquelas que julgava mais importantes.