Dívidas e mal gerenciamento de grana: Como sair do fundo do poço financeiro

Primeiro de tudo, quero deixar claro, que o que vou te ensinar hoje não é uma utopia, nem nada que li ou que me falaram por aí. E que sim, não nasci sabendo mexer com dinheiro, mas aprendi. Eu sobrevivi à algumas crises financeiras e aprendi com elas.

Já adianto que uma crise financeira não mata. É só você aceitar que está em crise, tomar algumas atitudes a tempo, fazer certos sacrifícios, algumas boas escolhas e ter determinação. Quando você cai na situação de ter mais dinheiro saindo que entrando, você está à beira do fundo do poço. A falta de gerenciamento financeiro pode te levar ao caos.

O que seria esse caos? Nome do SPC e SERASA, conta bancária no vermelho, aluguel atrasado, cartões de crédito estourados, dívidas que não param de chegar pelo correio, inúmeras ligações de cobranças, salário menor que seu custo de vida e o pior: empréstimos acumulando juros no banco.

Isso é o que chamo de fundo do poço financeiro. Sim, dá vontade de sumir mesmo. Mas acredite, sair disso tudo e aprender com cada situação, te fará ser uma pessoa mais controlada. Vale a à pena o esforço e o aprendizado fica pra vida toda.

Pra começar a resolver o problema, você deve listar todas suas dívidas. Pegue uma folha ou abra uma planilha e escreva uma a uma. Das que são R$10,00 às que passam dos R$1.000,00. Feito essa parte, você vai marcar as que são essenciais para sua sobrevivência: alimentação, moradia, condução.

O dinheiro do seu salário, não pode ser todo utilizado. É necessário fazer uma reserva mensal. Parece papo de Avô/Avó, mas esse é um dos segredos para ter uma vida melhor: reservar dinheiro mensalmente; ideal seria 30% do seu salário.

Da lista de dívidas, você deve separar o que é dívida criada: produtos que você adquiriu porquê quis assim, do que é dívida mensal: despesas mensais que você tem que pagar, querendo ou não, por serem serviços essenciais e gastos com alimentação. São considerados serviços essenciais: água, luz, telefone, tevê, internet, condução.

dívidas no fim do ano

Agora com o quadro da sua situação financeira diante dos seus olhos, é momento de fazer algumas escolhas: estando em crise, você vive bem sem tevê à cabo, portanto, cancele-a até sair desse buraco em que você mesmo se colocou. Se o telefone for pós pago – conta, ligue e cancele a conta também, opte por telefone pré-pago. Se vai pro trabalho de carro e pode ir de ônibus, opte pelo ônibus, mesmo que tenha que acordar mais cedo, afinal, a situação exige certos sacrifícios. E não se preocupe, pois você não morrerá sem esses serviços. E em breve, com consciência diferente da atual, poderá tê-los de volta, se julgar necessário.

São escolhas difíceis mesmo, mas lembre-se que são temporárias. Para recolocar sua vida financeira no lugar. Não faça empréstimos nem use cheque especial para pagar dívidas. Você só estará cobrindo um buraco com outro maior ainda.

Outra coisa importante: se você faz muitos lanches fora de casa, opte por comprar alimentos e prepará-los em casa, levando-os consigo ao invés de se alimentar sempre na rua. Se ganha um valor de vale alimentação ou refeição superior ao restaurante mais barato e de qualidade, próximo ao seu trabalho, onde você possa almoçar, troque de restaurante por uns dias. Vale até tentar comer em algum local mais barato que o vale refeição. Assim, poderá utilizá-lo para comprar alimentos e preparar lanches. Sem mexer no seu bolso.

Se tem cartões de crédito estourados, faça um favor a si mesmo: pegue uma tesoura e corte-os. A sensação de estar cortando um pedaço de você mesmo vai passar assim que a fatura vier mais barata ou que não chegar fatura, por não ter utilizado o cartão. Tem gente que sabe usar cartão de crédito. Tem gente que não sabe. Se você está no segundo grupo, aceite a sua situação de não saber lidar com isso e aprenda a comprar as coisas quando pode e com dinheiro. Assim, não acumulará dívidas.

Caso more de aluguel, pergunte a você mesmo: eu tenho condições financeiras de morar aqui? Morar onde você pode, é uma das leis do gerenciamento financeiro. Claro, sempre queremos o melhor. Mas se hoje você paga R$1.000,00 de aluguel e pode pagar R$500,00 morando em um lugar mais simples, vá o mais rápido possível para esse lugar mais simples e tenha R$500,00 a mais para pagar suas dívidas. Quem sabe, em breve, você consiga morar de novo, no lugar mais caro, estando em condição melhor?! Pode acontecer.

Não compre alimentos no cartão de crédito. Alimentos devem ser comprados à vista. Coisas que você compra todo mês e dívidas mensais, não devem ser postergadas. Devem ser pagas no mês corrente, com dinheiro, já que mês que vem, elas voltarão. Isso faz com que elas não sejam transformadas numa bola de neve.

Sobre cobradores: eles só querem receber ou, ao menos, negociar a dívida e ter uma previsão de quando você poderá pagar. 

Ligue para cada um ou vá pessoalmente aos locais onde fez crediário e fale com seus credores. Comece pelos que enviaram seu nome ao SPC. Explique a sua situação, diga que está endividado (a). Que vai pagar, mas que pretende negociar um valor por mês. Solicite que o nome seja tirado do SPC após o cumprimento do primeiro pagamento da negociação – fazendo negociação da dívida, seu nome deve ser retirado dos órgãos restrição em até 5 dias úteis.

Faça negociações que poderá cumprir. Não adianta prometer a 4 credores que pagará a cada um, R$ 100,00 por mês se só pode pagar R$ 100,00 por mês aos 4! Acredite: eles vão preferir receber R$ 25,00 cada um, que ouvir que receberão R$ 100,00 e não receber nada. É uma experiência vergonhosa e até embaraçosa, concordo.

Mas você não perde sua honra assumindo seus compromissos e tentando negociar. Pelo contrário. Mostra que tem responsabilidade e que quer resolver o problema.

Quando tiver a lista de credores que irá começar a pagar, pague-os. Faça sua lista mensal de gastos. Inclua a nova despesa com telefone que será agora, pré-pago, a água, a luz. Não terá dessa vez, tevê, nem gasolina alta como antes. Isso se chama economia de gastos.

Cada valor economizado, você deve destinar ao pagamento das dívidas. E claro, tente deixar guardado os 30%. Caso não consiga, guarde 10% na poupança e não mexa nesse valor. Após sair dessa crise, passe a guardar 30%. Essa poupança, servirá para você se manter sem dívida, caso fique sem emprego ou surja gastos inesperados; sem se colocar de novo na situação em que está agora. Ou melhor ainda: caso continue no emprego, tenha aumento e etc; poderá adquirir bens com o valor da poupança.

Dívidas com cartão de crédito e em bancos: deixe que elas cheguem. As dívidas de banco, em breve – cerca de 6 meses, serão entregues à uma Financeira Terceirizada que será responsável pela negociação da dívida com você. Isso acontecerá após seu nome ir pro SPC e pro SERASA. Não se mate por isso. Essas informações apesar de parecer o contrário, não ficam disponíveis em sua testa, para que todos saibam que você está com restrições no CPF. Apenas se concentre em resolver isso.

Essa Financeira te fará uma proposta com juros menores que os atuais. Sua dívida no banco aumenta mensalmente, devido aos juros altos. Se a Financeira Terceirizada assumir sua dívida, esses juros serão cancelados. Assim, você pagará somente o que deve, de fato. 

Te farão até, uma proposta com valor bem menor do que o que você deve, caso queira pagar à vista. Mas, não poderá mais ter conta corrente nesse banco, caso aceite a proposta de valor menor que sua dívida. Terá de analisar se quer manter sua conta lá ou se pode trocar de banco.

Caso seja necessário abrir conta salário nele, futuramente, você poderá. Mas somente conta salário. Conta corrente, é o banco quem decide se quer você como cliente ou não. Geralmente optam por não te ter como correntista. Quanto mais tempo você demorar para pagar o banco, a partir de 1 ano, menor será o valor de negociação que a financeira irá te oferecer.

tentação comprar

Resista a tentação de comprar. Você não precisa ter sempre o último celular lançado no mercado. O tablet da moda. O notebook mais moderno.

Nada que é atual tecnologicamente falando, é barato. E você vive bem com o que tem. 

Não precisa correr e comprar um iphone pra ser “top” e aceito. Quem te respeita pelo que você tem, não merece sua companhia. Você precisa é sair das dívidas. Manter o emprego atual e aprender a viver com a grana que recebe todo mês, reservando seus 30% na poupança. Você só deve comprar sapato, se o seu rasgar, estragar. Roupas, da mesma forma ou algumas para trabalhar.

A moda, tanto de eletrônicos quanto de roupa e calçados, muda a cada estação. Não a seguir, te torna mais independente e com seu próprio estilo. Não existe a mínima necessidade de acompanha-la à risca. E custa muito estar sempre na moda, não repetir roupa nunca e ser dono do celular e notebook recentemente lançado.

Observação: se você está desempregado, vou preparar outro artigo pra você. Um planejamento usando o valor da rescisão, seguro desemprego, multa do FGTS, etc.

Sobre passeios e viagens. Se você sai muito, gosta de ir semanalmente ao cinema, ao teatro, a shows e etc; terá que diminuir essa quantidade. Uma vez por mês ou mês sim, mês não. Opte por programas ao ar livre. Ler um livro numa praça por exemplo: é uma forma de sair de casa, sem gastar. Enquanto estiver nessa crise financeira, gastos com lazer, deverão ser diminuídos. Valores economizados nisso, deverão ser revertidos ao pagamento das dívidas.

Se gosta, por exemplo, de comprar livros – eu sei como é isso, comprar um livro é sempre uma alegria; até sair da crise, vá lendo os que comprou e ainda não leu. Tenho certeza que terá muitas obras para ler enquanto sai dessa situação e antes de terminar de ler todos, já terá saído dela com louvor.

Gastos em pet shops, estéticas, barbearias também devem ser revistos. Quem sabe é hora de aprender a lavar e cuidar do seu animalzinho? Hora de aprender a pintar o próprio cabelo, fazer a própria unha e cortar o próprio cabelo? No youtube tudo isso é ensinado. Hora de fazer a barba em casa e ir à barbearia apenas para cortar o cabelo? São decisões chatas de serem tomadas, eu sei, mas como venho explicando desde o início deste artigo, você está alterando e diminuindo os gastos para pagar suas dívidas e reorganizar sua vida financeira. É algo temporário.

Finalmente… com todas essas dicas seguidas, você terá meses e meses de escolhas difíceis e sacrifícios. Mas certamente, estará sem novas dívidas e pagando as que colocou naquele papel. Certamente surgirá, à essa altura, um orgulho imenso de não ter gastado. De não ter comprado nada. De ter aprendido a economizar.

E também, uma reflexão de que você viveu todo esse tempo, sem certas atitudes e que poderá viver sem elas. Claro, as coisas vão demorar para chegar ao lugar novamente. Cerca de 1 ano ou mais. Não importa o tempo. E sim, que você estará livre das dívidas.

Com as dívidas zeradas, mantendo as mensais e essenciais em dia e reservando seus 30% religiosamente, é momento de planejamento financeiro! Há perspectiva de crescimento profissional, envolvendo obviamente, aumento de salário? Se há, você pode pedir isso em seu emprego. Se propor a colaborar com melhorias. Enquanto não tiver o aumento, não conte com o dinheiro.

Lembre-se: seu dinheiro é o que chega às suas mãos. Salário líquido! É com ele que você irá fazer seu planejamento. As horas extras devem ser consideradas apenas quando vierem no salário. 

Podem ser destinadas aos 30% da poupança ou ao lazer. É um dinheiro que apesar de você receber, não é contínuo e definido – a menos que você sempre faça essas horas extras mensalmente. Afinal, são horas extras, se alteram dependendo da demanda de trabalho. Sua base de planejamento é o salário líquido. Nele você vai incluir os gastos mensais e ver o que sobra. Nesses gastos mensais deve ser incluso o valor que você está reservando para a poupança.

escolhas caminho

E agora, estando sem dívidas; é momento de decidir se vai voltar a trabalhar diariamente de carro, se vai voltar a ter telefone pós pago, se voltará a ter tevê à cabo. Se voltará a morar em um aluguel mais caro ou se é momento de investir em um imóvel próprio. Se voltará a usar pet shops, estéticas ou barbearias com a mesma frequência de antes.

Tudo isso é uma delícia! Sim, não nego! Só que, mais delicioso ainda é viver sem dívidas. É morar num lugar não tão bom, mas colocar a cabeça no travesseiro e pensar na casa própria que está saindo da planta. É pensar que não saindo mais todo fim de semana, a economia gerada a partir dessa atitude, irá para a compra de algum bem.

E o cartão de crédito? Aí é com você! Está preparado (a) para ter isso de novo? Não se envergonhe por não ter cartão de crédito. Vergonha mesmo é ter um e não pagar a fatura ou receber o salário em um dia e após 2 dias não ter mais nada.

Lembre-se: suas escolhas que farão você cair no fundo do poço financeiro novamente ou te levarão a aumentar seu patrimônio, com consciência econômica. O que escrevi aqui, não é um conto de fadas. É questão de responsabilidade e determinação,. São atitudes que eu tomei e aprendi com elas quando passei por uma crise financeira. Portanto, são atitudes possíveis de serem tomadas e aplicadas.

Foco! Você vai sair dessa.