Casamento não quer dizer que os dois se tornam um

Muitas mulheres acreditam que após casamento se torna uma pessoa com o cônjuge. O “sim”, a assinatura no cartório ou o juntar das escovas, é um momento único, especial. Mas é só o começo de uma nova fase.

Entendo que a vida a dois, traz um turbilhão de dúvidas, erros. Sem mencionar aquele velho ensinamento de que o casal “é a laranja e cada um é uma metade que se completa”. Não tem nada disso.

No início do casamento, ambos estão se acostumando a viver debaixo do mesmo teto. Acertando uns pontos, corrigindo outros. Nesse momento, é fundamental haver respeito, amor, diálogo – e haja conversa para conciliar tantas novidades.

Há quem pense que confiança é passar a senha das redes sociais. Que como já que se casou, só pode sair com o cônjuge. Que tudo o que fizer tem que contar. E o outro sempre deve falar também. Que o celular tem que estar à disposição pro outro mexer.

Isso é jogar sua individualidade no lixo, é deixar sua identidade de lado. Casar, seja no papel ou não, é unir-se a uma pessoa em prol da felicidade mútua. A personalidade de cada um não precisa mudar, nem deve. Claro que certas coisas mudam, naturalmente, com o tempo.

É importante ceder, em prol do bem comum. O que não quer dizer se anular, nem violar sua privacidade.

O casal é formado por duas pessoas inteiras, que apesar de terem um passado e sonhos, decidem se unir e se complementam. Intimidade não é contar tudo pro outro como se ele fosse um diário, dividir senhas, viver à mercê do outro. Não mesmo.

Intimidade é perceber que o outro não está bem só ao ver seu olhar. É compreender seus problemas. É contar com seu par em todos os momentos. É ter parceria entre os dois, conhecer detalhes de suas particularidades mais bobas. Ficar feliz só de ver a felicidade do outro.

Mesmo ao juntar as escovas de dentes, com um compromisso para a vida toda, as pessoas continuam sendo elas mesmas. Guardam suas qualidades, defeitos, anseios. É importante preservar também o individualismo de cada um – aquilo que os faz únicos.

Casamento não quer dizer que os dois se tornam um. Não somos metades à procura da outra parte. Somos inteiras, com amor próprio que decidem seguir a vida com quem nos mereça. Não somos também muleta de homem nenhum. Muito menos escada.

Casamento deve fazer bem a ambos. Ser saudável, apesar dos desentendimentos. E mesmo brigando, precisa ter respeito.

Esquecer seus gostos e características “em prol do outro” só trará frustrações. É que assim, você se dá demais. E consequentemente, também espera demais e esse retorno não virá. Respeitar seus limites é essencial pra que o espaço individual seja mantido mesmo após o casamento. É importante que haja um equilíbrio entre suas vontades, as do parceiro e a de ambos.

Namoro é fundamental para conhecer seu parceiro e conquistar intimidade, sem perder a individualidade. Uma viagem a dois podem ser linda, mágica. Mas o dia a dia sob o mesmo teto é um desafio. Para que a relação não se desgaste e não caia na rotina, é preciso maturidade e diálogo.

Algumas divergências surgirão, claro. O melhor é contornar com respeito e compreensão. Vez ou outra, um dos dois terá que ceder. Isso é fundamental. Faz parte da vida a dois.

Estou nessa jornada há 5 anos e afirmo: a vida a dois pode ser comparada a uma flor, que precisa ser cuidada para não morrer. É preciso compreender que estar sob o mesmo teto com outra pessoa, não é controlar, impor o que você quer ao outro.

Prova de amor não é receber a senha do e-mail e das redes sociais. É continuar vendo o carinho do outro com o passar dos anos. É ver o mesmo cuidado e amor do início da relação. Se tornarem um após se unirem, é a pior utopia do comportamento humano que inventaram.

Não caia nesse buraco.