Bela, recatada e do lar, é o cacete!

Há 8 dias se discute a infeliz matéria “Bela, recatada e do lar”, da Veja. No meu conceito, a Veja caiu faz tempo. E agora, com essa matéria objetificando a mulher, como se “mulher boa” fosse “bela, recatada e do lar”, ficou uma cópia ridícula da Caras e pra mim, desceu a ladeira direto pro latão do lixo. Há quem explique: “a Veja quis aparecer”. Bom, se era isso, ótimo! Conseguiram. Pois são 8 dias com o tema criando revolta entre os mais diversos tipos de mulheres brasileiras.

bela recatada e do lar veja

Muitas mulheres reclamaram nas redes sociais sobre isso e com razão! Primeiro que ela, 32 anos, casada com um homem político de 75 anos, ou seja, 43 anos mais velho que ela, já dá a entender que de amor aí, não tem nada! Será que se ele fosse o Zé, entregador de água mineral, na casa da mãe dela, ela se casaria com ele? Façam suas apostas, senhores!!!

Mas isso é problema deles. O que venho bater o pé aqui, é sobre o retrocesso que esse tipo de matéria traz! Joga na nossa cara que mulher “ideal” é assim e assado. Coisa mais ridícula e dispensável! Estamos na Era Digital, pagamos nossas contas pelo celular e vem uma merda de revista dessas ditar como as mulheres devem ser?! Não dá! O que me dói é pensar como que essa matéria foi ao ar.

E nem vou entrar em mérito político, de revista que apoia o golpe contra a democracia e traz uma versão de mulher totalmente oposta a Dilma – eu apoio é essa, de mulher de luta, sem medo e que anda com as próprias pernas. Não! Quero falar do puxa-saquismo escancarado, dizendo que o Temer tem sorte em ter a Marcela. Ah, me poupe! Deu vontade de vomitar ao ler a matéria. Mulher nenhuma tem que ser bela, recatada e do lar pra ser ideal. E marido sortudo, é aquele que tem uma esposa ao seu lado, que o ama e o respeita, apesar dos defeitos que tem. Marido sortudo, é aquele que estando gripado, vê a esposa vindo da cozinha com um chá e biscoitos. Marido sortudo, é o pobre, que acorda às 5:30 pra trabalhar e a esposa o ama por ser o cara que mudou a vida dela, por ser o amigo, o parceiro de todas as horas.

Em pleno século XXI, mulheres “do lar” são poucas, até porquê, as que estão em casa, fazem algo para vender, prestam algum serviço ou coisa assim praticamente mulher nenhuma atualmente é “do lar”. E ainda que fosse não seria errado! Errado é uma revista de bosta dessas, vir ditar que tipo de mulher é o correto. até porquê seguir o exemplo da Marcela que sequer terminou uma graduação e casou-se com um político importante, não é o melhor caminho. Não é errado, de forma alguma, ser do lar. Errado é uma revista vir ditar isso como padrão de mulher ideal.

Isso é tão dispensável, que hoje o que nós, mulheres antenadas, buscamos é estar a frente do nosso tempo. Prova disso são as leituras eróticas que crescerem no meio feminino. Queremos aprender cada vez mais a não ser “do lar” nem “recatadas” quando o assunto é o que ocorre entre quatro paredes. Até me lembrei da publicação que fiz ano passado, sobre a linha “homens que amamos” da Risqué. Puta merda! Todo ano tem que sair algo assim, pra jogar na nossa cara que devemos ser isso ou aquilo pros homens? Que mulher tem que seguir manual pra que os maridos sejam de sorte?

Nos poupe disso! Lutamos desde a revolução sexual dos anos 60 pra nos livrar disso e vem uma mulher fazer isso??? Por favor! Quer puxa saco, puxe de outro jeito! Mas não venha jogar em nossa cara o tipo de mulher que devemos ser!