Atenção mulherada: Apanhar não é normal!

Não tô falando sobre aquele tapa na hora do “faz-me virar os olhos”. Falo de apanhar de verdade… Sem pedir, sem gostar, sem querer, sem sentir prazer nisso. De ser coagida. Humilhada.

Ter que usar maquiagem para esconder. Ter que dar depoimento à polícia. Ficar com vergonha dos vizinhos, dos amigos. Ficar sem ter o que dizer à família. Apanhar, de verdade, de um parente ou do companheiro. O nome disso é violência doméstica.

Por mais que ele te diga que é amor, não é. Nada que você faça ou deixe de fazer, justifica ele te bater. Homem que levanta a mão contra uma mulher é machista, ignorante e se acha o dono dela. Ninguém é dono de ninguém. Não existe justificativa plausível para esse tipo de atitude de um “homem” contra uma mulher.

Sabe por que existe a Lei Maria da Penha (11.340) no Brasil? Porque o Estado permitiu que uma mulher, cearense, farmacêutica, apanhasse do marido por 23 anos. Sim, longos 23 anos de casamento. Esse monstro tentou acabar com a vida da esposa por 2 vezes! Hoje, ela é paraplégica, graças a ele. Foi uma luta, mas justiça foi feita. E assim, em agosto de 2006, foi sancionada pelo ex-Presidente Lula, a lei que veio para dar limite a esses boçais.

Na época em que a violência era rotina na vida da Maria da Penha (pessoa), não existia a lei. Ela sofreu muito, quase morreu; pra que hoje, você apanhe uma vez e tenha meios de se livrar do agressor. Ou seja, você só apanha de novo, se não tomar uma atitude. Não falo do que ouvi falar, do vi, do que acho que é certo.

Falo do que vivi. Sim, fui vítima de violência doméstica, por um irmão da minha mãe, que nem o considero como tio, em dezembro de 2006 e em 2009, por um ex de 4 anos de namoro.

Em 2006:

Não me calei, não me entreguei. Morava com a minha Avó. Saí de casa só com as coisas do meu quarto. Não tinha geladeira, fogão, tevê, nada disso. 90% da família ficou contra mim, pois sabiam que ele seria preso. Nada me intimidou.

Fiz boletim de ocorrência. Fui morar sozinha. Na garra e coragem, não vendi meu corpo, não vendi drogas, não roubei, nem fiz nada ilícito. Arrumei emprego. Chorei muito, por dias e dias.

Chegava em casa após fazer hora-extra, pra chegar em casa a noite, tomar banho e dormir; tentando não sentir tanta falta da tevê. Me tornei uma sobrevivente. E esse crápula foi preso. Na cadeia, se tornou cozinheiro, pra diminuir a pena.

Na hora de bater na gente, são machões. Quando a coisa fica feia pro lado deles, aquela coragem toda some! Minha Avó, na época, sofreu muito com tudo isso, pedi perdão à ela e disse que se tivesse que fazer tudo de novo, eu faria.

 

Em 2009:

Com o ex, ele se achou dono de mim e após tomar um pé na bunda merecido, invadiu a minha casa. Quebrou tudo que pôde e me ameaçou, me jogou contra a parede. Foi uma madrugada horrível. Fiz a mesma coisa: delegacia e BO.

Não o denunciei por mais que ele merecesse, pois ele fazia Direito. E tinha o sonho de se tornar Juiz. Sei que ele nunca vai conseguir, mas pra ele não me culpar, não registrei. Mas a madrugada na delegacia, com uns policiais e delegado que eram amigos do meu Avô, ele passou.

E não deve ter sido nada boa. Nunca mais falei com ele, ele também não me procurou. Ele na verdade, nunca mais me viu. Mudei meu celular, mudei meu e-mail pessoal, me mudei de Estado. Segui minha vida!

Não tenho ódio de nenhum dos dois. Só pena. Muita pena mesmo. E olha, confesso: eu tenho é muito orgulho disso tudo. De ter mostrado que não sou dessas que apanham e ficam com peninha do covarde-machista. E se precisar, uma terceira vez nessa vida, eu me dirigir à uma delegacia e fazer o terceiro BO por agressão doméstica, eu faço.

A mesma atitude que tomei pra me ver livre dele, eu peço que você tenha. Não se sujeite a esse tipo de situação! Denuncie! Seja parente seu, seja seu marido, seu namorado, seu companheiro. A merda que for!

Não se cale! Você só continuará apanhando se quiser. Ou prefere esperar até que ele te mate, te deixe com limitação física?! Por que vai chegar a esse ponto. Ele não tem nem um pingo de amor e respeito por você. O blá blá blá que ele diz após te bater, as desculpas que te enfia goela abaixo, são mentiras.

Ele nunca vai parar de te bater. Ele acha que isso é certo. Acha que isso é ser homem.

A Maria da Penha (pessoa) só não morreu por não ter dado tempo. O marido dela continuaria violentando-a até conseguir matá-la. Hoje, com a lei Maria da Penha, você só apanha a segunda vez se quiser. A primeira vez, somos pegas de surpresa. Nos sentimos acuadas, humilhadas.

Sei bem como é isso. Bate o medo. A insegurança. Mas é aí que você tem que agir. Ser corajosa. Saia de perto dele, denuncie e tire-o da sua vida.

Existem centros de apoio à mulher. Após o boletim de ocorrência e queixa feita à polícia, ele recebe voz de prisão em flagrante. É acusado de violência doméstica. E é preso. Quem bate uma vez, bate duas, três… Cem… Quinhentas… Mil… Assassina! Depende de você, o ponto final dessa situação. Por ele isso vai continuar. Juras de amor num dia e porrada no outro.

Você deve dividir seus sonhos e realizações com quem te mereça, te trate como gente, com carinho, amor, respeito. Não com um idiota que te bate e depois vem de conversinha fiada de estar arrependido ou deprimido. Mostre que tem amor próprio! Mude o rumo de sua vida. Apanhar não é normal. Não é amor. Não é relacionamento sadio.

E aí, vai continuar apanhando ou vai tomar uma atitude?