Ação social: uma das razões do meu viver…

Cresci vendo meu Avô encher o porta malas do carro de alimentos e levar pra pessoas que precisavam de ajuda, pagando conta de luz pra pessoas que não tinham condição de fazê-lo e atendendo, como advogado várias pessoas que não podiam pagar um. Ele era paraibano, passou fome na terra dele e aquela altura, em Minas, aposentado como engenheiro agrônomo do ministério da agricultura do Brasil, formado em Direito, curso que fez só pra ajudar pessoas e nunca cobrou por nada, ele ajudava sempre que surgia a oportunidade. E o exemplo arrasta… Hoje eu faço a mesma coisa. E não imagino a minha vida sem ajudar, a ação social, me torna mais humana. É uma necessidade pra mim. Faz com que me sinta mais gente.

Sempre envolvida em causas sociais, percebo que a veia social é algo que nasce com a pessoa, que não tem como ensinar isso, apenas dar exemplo e torcer pra que outras pessoas o sigam. E as pessoas que são envolvidas nesse tipo de trabalho, acabam contagiando as pessoas ao redor. Existem dois tipos de gente quando o assunto é ação social: as que abraçam o projeto e vão junto ou ajudam o quanto puderem, mas não podem ir junto e as que dizem “quando eu tiver velho, eu faço” ou “ajudar? Quem precisa de ajuda sou eu!” e mostram total desinteresse pela proposta e que não entendem a importância disso.

Só quem se dispõe a doar um pouco do tempo a quem precisa, é que sabe o grande segredo disso tudo. Acaba tornando-se um vício. É que no fim, o maior beneficiado, é quem faz o trabalho. A gente se vicia ao ver a alegria no olhar de quem recebe um pouco da nossa atenção. Se vicia ao ganhar um abraço inesperado. Se vicia ao ver as crianças carentes pulando na gente. Se vicia ao ver o cabelo doado como peruca em alguma criança ou mulher que luta contra o câncer. Se vicia em doar sangue. Se vicia em doar medula. Se vicia em fazer o bem. É o melhor vício que alguém pode adquirir.

Ajudar é tão simples, basta se dispor. Aqui no meu artigo “Olhai os invisíveis”, falo disso também. Sempre vai ter alguém com dificuldade de mobilidade, no sinal, esperando ele abrir e torcendo pra coragem chegar junto, pra atravessar a rua e dar tudo certo. Se você está atento e se dispõe a ajudar, você melhora consideravelmente o dia de alguém. Deficientes visuais também são constantemente vistos pelas ruas e não custa nada questionar se precisam de ajuda e gastar alguns minutinhos com isso. Seja em campanhas, seja no dia a dia, ajudar é algo que faz parte da minha vida.

Entrei no DCE da minha atual faculdade, Unifin, eleita em maio desse ano, pela chapa 2, com o propósito de fazer ações sociais. E a primeira ação, com ajuda de todos, foi a campanha do agasalho. Finalizamos a campanha com uma ação realizada nesse sábado com alunos da faculdade entregando doações e lanche (pão com queijo e mortadela e café) a alguns moradores de rua de Porto Alegre. Depois de sábado posso dizer que me tornei mais gente. Dei valor a coisas como meia, que todos pediram e a gente não tinha como doação. A maioria deles nos relatou que apanha na rua, pelas madrugadas, de graça. Pessoas passam, batem e urinam neles sem motivo. Aliás, que motivo teria pra tamanha covardia?! Nenhum mesmo!

Um deles, ao ser questionado sobre qual a maior dificuldade de morar na rua, respondeu “é não ter nada”. Consegue mensurar a dimensão disso? Ele estava procurando coisas no lixo. Era sábado, finzinho da tarde. Fiquei pensando, em quantas vezes, nós nos sentimos mal por não tem um sapato novo. Por querer mudar algo na aparência e ter que esperar até o dia do pagamento… Coisas que sim, temos o direito de desejar, mas que não devíamos nos sentir mal com isso, já que temos tudo: teto, roupas, calçados, banho, alimentação, como ir e vir.  Quantas meias você tem hoje? Já parou para pensar que isso, a princípio, simples, é coisa chique pra quem mora na rua? Dê valor às suas!

Esse, da imagem abaixo, ficou feliz por ganhar um sapato, que serviu no pé dele e ao ser questionado se poderíamos tirar uma foto para uma matéria da faculdade, ele pousou pra foto com um sorriso e oferecendo o café que tinha acabado de ganhar das nossas mãos.

pro blog ação social

A ação social nos proporciona isso: a incrível experiência de estar com pessoas que nos mostram o quanto precisamos dar valor ao que temos. O agradecimento pelo olhar de gratidão, por um abraço de quem usa muleta e acabou de ser ajudada ao atravessar a rua, a alegria de uma mãe ao ver o filho feliz por ter ganhado algo. Dispor só um pouco do tempo e ganhar de volta tanto amor, chega a ser injusto. A recompensa de fazer esse tipo de trabalho é alta! Vale muito à pena, entrar nessa onda de amor, chamada ação social. O que recebemos de volta, é muito maior do que o que entregamos. Permita-se ajudar sempre que a oportunidade chegar.

Esteja disposto (a)! Só isso!